RESIDENT EVIL: A História Completa

Resident Evil (chamado de Biohazard no Japão) é um grande divisor de águas na história dos games. A franquia da Capcom sacramentou o que hoje chamamos de Survival Horror, termo dado para games de terror e sobrevivência. Se você gostou de Dead Space, Silent Hill, Clock Tower, Fatal Frame ou até mesmo Left 4 Dead, então agradeça muito à Capcom. Antes de Resident Evil, a Capcom já havia trabalhando em experiências com games de terror, como o pouco conhecido Sweet Home (que também coloca o jogador dentro de uma mansão macabra, cheia de portas trancadas e quebra-cabeças). Dead Space pode ser mais assustador que Resient Evil 5, mas podemos até dizer que Dead Space nem existiria sem a Capcom.
Sim, a Capcom é mesmo uma empresa de respeito.
Vejamos como a franquia sobreviveu a todos estes anos de zumbis, vírus mutantes e pouca munição. E eu garanto, aqui você não irá se assustar – tanto.

ATENÇÃO: A MATÉRIA CONTÉM SPOILERS SOBRE A SÉRIE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

1996 – “Resident Evil”: Um “filme B” com ares de “game A”.
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Lançado para PlayStation e posteriormente para Sega Saturn, o primeiro Resident Evil colocava o jogador na pele de um membro do time Alpha da força tarefa S.T.A.R.S. (Special Tactics And Rescue Service), na busca do time Bravo, desaparecido na floresta das imediações de Raccoon City. O time Bravo tinha como objetivo investigar uma série de assassinatos brutais na região.
Após encontrar o helicóptero do time Bravo, o time Alpha inicia uma varredura na área, até serem encurralados por cães extremamente ferozes e rápidos, que vão eliminando os membros do time.
Os poucos sobreviventes do time Alpha batem em retirada, até encontrar uma mansão aparentemente abandonada. Presos na mansão, o time inicia uma busca por saídas ou algo que pudesse ajudar a sair da difícil situação. Entretanto, as coisas só pioram...
Durante as primeiras investigações na mansão, o jogador encontra um membro do time Bravo, Kenneth J. Sullivan, morto. Mais do que isso: Ele estava sendo devorado por um tipo de zumbi.
Cabia aos sobreviventes do time Alpha (Albert Wesker, Chris Redfield, Barry Burton e Jill Valentine) descobrir de onde veio este zumbi, o que aconteceu com os demais membros do time Bravo e encontrar um meio de sair desta macabra mansão.
Durante o desenrolar dos fatos, descobre-se que a mansão é local de experimentos ilegais, sob a liderança do conglomerado médico Umbrella. As pesquisas indicavam a criação de um tipo de vírus mutagênico chamado T-Virus (Vírus T).
Na parte final do game é revelada a verdadeira identidade de Wesker, como um agente da própria Umbrella.
O jogador tinha como opção jogar com Chris Redfield ou Jill Valentine. Chris é mais forte, agüentando melhor as investidas dos inimigos, e também possui maior poder de fogo. Já Jill é mais ágil, podendo carregar mais itens, além de contar com o item Lockpick, que permite destrancar fechaduras mais simples sem a necessidade de procurar por chaves.
Durante o game, o jogador podia contar com o apoio esporádico de Barry Burton, especialistas em armas do time Alpha (ele dá apoio à Jill, fornecendo novas armas ou muinições), ou com Rebecca Chambers, para-médica do time Bravo (que dá apoio a Chris, curando o personagem com ervas ou medicamentos). Wesker também dá apoio ao jogador durante o game, em determinadas situações.
A jogabilidade do game era boa, apresentando uma dificuldade elevada, dada a pouca munição que o jogador encontrava ao desenrolar da trama, bem como a limitada capacidade de se carregar itens e a pouca quantidade de itens para recuperar a energia perdida por eventuais ataques dos monstros.
Soma-se a necessidade constante do jogador ter que revirar a mansão diversas vezes na busca por itens, como chaves, documentos ou outros itens para dar avanço no game. Por muitas vezes isso era frustrante, mas servia para obrigar o jogador a passar novamente por locais já visitados. E nada impedia que na segunda visita algum monstro pudesse saltar do nada contra o jogador, que, por sua vez, poderia não estar esperando um ataque num lugar onde antes nada havia. Depois da terceira vez que isso acontecesse, o terror psicológico já estaria fazendo efeito sobre o jogador.
Os gráficos tridimensionais impressionaram na época, bem como um sistema de loadings dados através de pequenas animações de portas sendo abertas, no transcorrer de um ambiente para outro, dando maior fluidez ao game.
Talvez o maior fator negativo do game seja suas animações feitas com filmagens reais, com atores interpretando os personagens. A interpretação era péssima, dando ares cômicos ao game, lembrando os “filmes B” de terror.
Até hoje é possível encontrar alguém fazendo menção a esta triste e cômica peculiaridade do primeiro Resident Evil.
De modo geral, a crítica foi positiva e era claro que o game teria uma continuação.
Vale mencionar que em 2003 foi lançada uma versão re-make do game, para o Game Cube da Nintendo. Apresentando gráficos soberbos, novas opções e localizações da mansão, adaptações no enredo original (dando maior seriedade ao game) e a possibilidade de se carregar novas armas, como punhais e aparelhos de choque.
E, é claro, as filmagens originais foram substituídas por animações em computação gráfica de alta qualidade. A IGN afirmou que esta versão era “o game mais assustador que já jogamos”.
A versão do Game Cube vendeu sozinha mais de 1,35 milhões de cópias.




1998 – “Resident Evil 2: Continuação e status de clássico.
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A continuação da saga teve seu lançamento inicial para PlayStation, e posterior lançamento para Nintendo 64, Dreamcast, PC e Game Cube.
O game narra a tomada de Raccoon City pelo T-Virus, tornando-a uma cidade de zumbis e outras aberrações. Nela, alguns sobreviventes tentam encontrar um meio de escapar do caos.
Entre os sobreviventes, temos os personagens controláveis Leon S. Kennedy, oficial de polícia que acaba de ser transferido para Raccoon City, e Claire Redfield, estudante que está na busca de seu irmão, Chris Redfield.
Durante o game também conhecemos Ada Wong e Sherry Birkin. Ada é uma espiã enviada para investigar os estranhos acontecimentos que assolam as imediações de Raccoon City. Já Sherry é filha do cientista William Birkin, criador do G-Virus (Vírus G), uma variante do T-Virus.
Com o desenrolar dos fatos, descobre-se que Chris está na Europa, tentando impedir as ações da Umbrella.
A jogabilidade do game apresenta uma melhoria significativa, tanto em gráficos como em opções. No game, a quantidade de zumbis e outros inimigos surgindo ao mesmo tempo é bem maior, se comparado ao game anterior. Além disso, agora o jogador podia ter noção de como estava a saúde do personagem apenas pela sua animação. Em situações normais, o personagem caminha sem maiores dificuldades. Em situações intermediárias, o personagem caminha cobrindo o estômago (como se tivesse uma ferida na área). Por fim, quando a energia do personagem estivesse em situações críticas, o mesmo caminharia com dificuldade, mostrando seriedade nos seus ferimentos.
As animações de morte do personagem também estavam mais brutais. No game anterior, as animações não continham uma violência tão explicita. Neste episódio, por exemplo, podemos ver o personagem ser devorado vivo por um inimigo, culminando na tela de Game Over.
Também temos outra novidade no game, em termos de jogabilidade: A inclusão de um “cenário alternativo” (Scenario B), colocando o jogador em situações de dificuldade mais elevada, com pequenas mudanças de enredo e trajetória do game.
Além disso, no final do game, o jogador é julgado de acordo com o seu tempo, quantidade de medicamentos utilizados e outros fatores. Dependendo do seu resultado, o game desbloqueava novas opções e modos de jogo.
A crítica ao game foi positiva, embora alguns pontos tenham sido duramente criticados.
A GameSpot condenou o sistema de inventário, dizendo que os “baús mágicos” presentes no game tiravam um poço da dificuldade do game, bem como seu realismo (fazendo referência aos baús de estoque de itens, que permitiam o estoque e retirada de qualquer item nele depositado, não importando qual baú o jogador abra). Outro ponto criticado do game foi seu sistema de mira em conjunto com os ângulos fixos de câmera, tornando o conjunto penoso, como apontado pela IGN.
Apesar destas críticas, Resident Evil 2 consolidou a franquia, permitindo um novo título no ano seguinte.




1999 – “Resident Evil 3: Nemesis: O antes e depois de Raccoon City.
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Nemesis (ou Last Escape no Japão) é o último game da série Resident Evil para o PlayStation. Posteriormente ele foi lançado para PC e Dreamcast. Atualmente, há a possibilidade de se baixar o game na PlayStation Network, para o PlayStation 3 e PlayStation Portable.
O game narra acontecimentos que antecedem os eventos de Resident Evil 2 (mais precisamente, os eventos entre Resident Evil e Resient Evil 2). Posteriormente, o game narra os eventos que selam o destino de Raccoon City (pós Resident Evil 2).
Aqui, voltamos a controlar Jill Valentine (do primeiro Resident Evil), na sua fuga da cidade de Raccoon (após escapar da mansão do primeiro game). Durante sua fuga, encontramos o UBCS (Umbrella Biohazard Countermeasure Service), um time da Umbrella designado a combater acidentes biológicos.
No meio da fuga, Jill e o UBCS enfrentam o Nemesis, uma versão “domesticada” do Tyrant (chefe final do primeiro Resident Evil), sob comando da Umbrella. Além da força do Tyrant original, Nemesis apresenta habilidades novas para um monstro da série: Corre, sabe usar armas de fogo e persegue o personagem não importa pra onde ele vá (as famosas transições de cenário).
Descobre-se que Nemesis tem como objetivo eliminar os membros restantes da S.T.A.R.S., ou seja, Jill.
No final do game, Raccoon city enfrenta um trágico final: O governo dos Estados Unidos autoriza a destruição da cidade com um ataque nuclear, com o objetivo de eliminar o perigo do T-Virus. Assim, as ações da Umbrella tornam-se públicas e a empresa começa a sua decadência.
Ao contrário dos games anteriores, em Nemesis o jogador não pode escolher o personagem com que quer jogar, sendo obrigado a controlar apenas Jill (em determinados momentos pode-se controlar Carlos Oliveira, um dos membros do UBCS).
Outra mudança na série é a possibilidade de se enfrentar o chefe final Nemesis em qualquer momento, já que ele vaga aleatoriamente pela cidade. E mesmo que o jogador elimine-o, ele será obrigado e enfrenta-lo novamente no final do game. Esta possibilidade de confronto iminente dá uma sensação de terror a mais ao game.
As novidades também não são poucas. Agora o jogador podia criar suas próprias munições, através de combinações com outros itens e armas (anteriormente, o jogador apenas melhorava a arma com itens designados exclusivamente para isso, ou reunia diferentes tipos de ervas para resultar em melhores medicamentos).
Subir e descer escadas para evitar inimigos também não era mais uma possibilidade. Se antes os inimigos pareciam não saber usar as escadas (o famoso efeito de parede invisível), agora as coisas mudam. Em contrapartida, você agora podia circular livremente pelos degraus, sem precisar apertar o botão de ação para subir ou descer a escada.
O game conta com oito diferentes finais, variando de acordo com as decisões que o jogador toma em determinados momentos do game.
Se Resident Evil 2 não foi bem recebido pela crítica especializada, o mesmo não vale para Nemesis. O game recebeu várias notas elevadas e elogios.
A IGN afirmou na época que Nemesis “desdobra maravilhosamente” a história da franquia, combinada com o “estilo preciso de jogabilidade”. A GameSpot também ressaltou a história da franquia: “A franquia RE continua refinando uma já excelente história”.
O game serviu de base para o – não tão elogiado – filme Resident Evil: Apocalypse.




2000 – “Resident Evil Code: Veronica”: Fora da Sony, dentro do sucesso.
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Code: Veronica (ou simplesmente Veronica no Japão) é o primeiro game da franquia da Capcom que não foi lançado para um console da Sony (no caso, o PlayStation).
O game narra a continuação da busca de Claire pelo irmão Chris, após o término de Resident Evil 2. Para tanto, Claire viaja até Paris (em Resident Evil 2 foi informado que Chris estava na Europa), deixando Leon e Sherry (a filha do criador do G-Virus) para trás.
Claire tenta invadir uma fábrica da Umbrella, mas acaba presa em Rockfort Island, onde conhece Steve Burnside, outro detento da ilha. Paralelamente, descobrimos que Albert Wesker continua vivo e trabalhando para a Umbrella (era creditada a sua morte no primeiro Resident Evil). Sua missão é encontrar outra variante do T-Virus: O T-Veronica. Ao mesmo tempo, Wesker libera o T-Virus pela ilha.
As tentativas de fuga de Claire são fracassadas, até a chegada de seu irmão. Chris teria entrado em contato com Leon, que explicou a busca de Claire ao desaparecido integrante da S.T.A.R.S.
A partir de então, dá-se uma série de conflitos e reviravoltas na história do game (como Chris e Wesker lutando juntos contra um dos chefes do game, com posterior fuga de Wesker), culminando na morte de Steve (após ser contaminado com o T-Veronica), a fuga de Wesker (levando consigo o corpo contaminado de Steve) e a certeza que Wesker e Chris ainda iriam se enfrentar novamente.
Os gráficos de Code: Veronica sofrem grandes mudanças em comparação com Nemesis. Agora os cenários eram em 3D não renderizados, o que permitia uma movimentação mais livre da câmera (ao contrário da câmera fixa de Resident Evil 2, por exemplo).
Outra inovação do game é a possibilidade de se empunhar duas pistolas simultaneamente, além da possibilidade de continuar o game de determinado ponto se o personagem morresse (os chamados Continues). De resto, o game manteve os mesmos padrões de Nemesis, como a jogabilidade.
O jogador inicia o game controlando Claire na sua primeira metade. Na segunda metade, o jogador controla Chris. Em alguns momentos também é possível controlar Steve Burnside.
O game é considerado o verdadeiro Resident Evil 3, já que dá continuidade aos eventos de Resident Evil 2, enquanto que Nemesis narra uma história paralela.
Versões para PlayStation 2 e Game Cube foram lançadas posteriormente, na Versão Veronica X (Veronica ~Complete Edition~ no Japão). Tal versão conta com mais animações durante o game e pequenas mudanças nos gráficos, mantendo os demais fatores intactos.
A crítica elogiou muito a versão para Dreamcast. Com a IGN dando uma nota 9,2 de 10, enquanto que a GameSpot deu 9,5 de 10. Segundo a GameSpot, este era “o melhor game da série”, com “um dos melhores gráficos vistos no Dreamcast”.
Já a GamePro deu 4,5 de 5. Em contrapartida, a versão de Game Cube recebeu notas medíocres, como a nota 1 de 5 pela X-Play.




2002 – “Resident Evil Zero”: Como tudo começou.
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Resident Evil Zero volta no tempo com o objetivo de mostrar como a história criada pela Capcom começou.
Para tanto, o game narra a chegada do time Bravo na floresta próxima de Raccoon City. O helicóptero do time sofre uma pane e é obrigado a fazer um pouso de emergência. Em pouco tempo o time encontra, próximo do local do pouso forçado, um comboio militar. Nele, restam apenas mortos. Com a situação, o time Bravo inicia uma busca e varredura pela área, atrás e pistas sobre o crime.
Rebecca Chambers (que dá apoio a Chris no primeiro game) acaba encontrando um trem parado no meio da floresta: o Ecliptic Express. Dentro dele, ela encontra o passageiro que o comboio militar levava, o acusado de 23 assassinatos Billy Coen.
Após enfrentar algumas aberrações, como estranhas sanguessugas, a dupla percebe que o trem esta andando, rumo a um desfiladeiro. Para evitar um fim trágico, os dois acionam os freios do trem, mudando o curso do mesmo para um antigo laboratório e centro de treinamento.
Lá, Coen revela que era um soldado que combatia milícias na Guerra Civil africana, sendo obrigado a matar pessoas contra a sua vontade e, posteriormente, descobriu que as ordens de execução eram baseadas em informações falsas.
A dupla acaba descobrindo a existência do Progenitor Virus, a base do T-Virus, desenvolvido pelos responsáveis da instalação em que se encontram. Combinado com o vírus ebola e o DNA de sanguessugas, o Progenitor Virus, dá como resultado o T-Virus.
Baseada nestas informações, o game narra o nascimento da praga que assolaria toda a cidade de Raccoon, bem como a fuga de Rebecca do local, até entrar na mansão, palco do primeiro Resident Evil.
O game utiliza um sistema de duplas, similar ao presente em Resident Evil 5, onde o jogador controla um personagem e a inteligência artificial do game o outro. Ou ainda é possível dividir a dupla e cada um explorar um cenário, ao mesmo tempo. Esse sistema de dupla permite a criação de novos tipos de quebra-cabeças para o game (quem jogou Hauting Ground, do PlayStation 2, sabe do que se trata).
Outra novidade do game é a possibilidade de se deixar itens no chão, para que ele possa ser coletado posteriormente, em outra situação. Isso elimina a existência dos baús fixos pelo cenário.
Fora isso, o game apresenta as mesmas características dos demais games da franquia.
Planejado para ser lançado para o Nintendo 64, a recepção do game foi positiva, com boas notas. A IGN afirmou que o game cumpria a premissa de ser assustador, embora os quebra-cabeças e controles fossem fracos, dando a nota 8,2 de 10.




2004 – “Resident Evil: Outbreak”: Multiplayer.
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Outbreak caracteriza-se pela sua postura voltada para o multiplayer, similar ao que o game Left 4 Dead proporciona.
O game narra a luta de alguns sobreviventes de Raccoon City, entre Resident Evil 2 e Nemesis.
Outbreak permite que vários jogadores atuem ao mesmo tempo no desenrolar de cinco cenários, com dificuldade que varia de acordo com a quantidade de itens e armas disponíveis.
Os gráficos e jogabilidade são similares ao de Zero, não apresentando grande inovação. Talvez o destaque seja a possibilidade de comunicação com outros jogadores através de frases distribuídas pelos botões, cada uma com uma função (como pedir ajuda ou afirmar algum pedido feito).
A crítica do game também não apresentou grande recepção, com notas medianas, como um 7,2 de 10 da GameSpot e 7,6 de 10 da IGN.
Apesar dessa recepção fraca, o game teve uma continuação.




2004 – “Resident Evil: Outbreak File #2”: Multiplayer de novo.
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O segundo game da série Outbreak segue as tendências de seu antecessor, mantendo o sistema de comunicação e jogabilidade, embora incluísse novas modalidades e desafios.
Uma mudança interessante no game era a possibilidade de se atirar e andar ao mesmo tempo.
Dividido em cinco cenários, o game continua a narrativa iniciada no primeiro Outbreak, com os mesmos personagens e a mesma linha do tempo do seu antecessor.
As notas dadas foram medianas, como a da GameSpot (6,6 de 10), com críticas na inteligência artificial do game (para quem não jogasse no modo multiplayer on line), gráficos abaixo da média e quebra cabeças sem muita necessidade ou capricho.
Com duas tentativas sem muito sucesso, a franquia abandonou as possibilidades multiplayer... Pelo menos por enquanto.




2005 – “Resident Evil 4”: Renovação?
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Resident Evil 4 renova a série, dando maior ênfase para batalhas contra múltiplos inimigos, em cenários mais abertos e com uma maior quantidade de munição e itens que recuperam a energia.
Por estes fatores, muitos consideram o episódio como o inicio da decadência da franquia, colocando em segundo plano o fator terror.
A história do game narra o retorno de Leon como protagonista, agora um agente do Serviço Secreto americano. Seu objetivo é encontrar Ashley Grahan, filha do presidente dos Estados Unidos, seqüestrada por um culto chamado Los Illuminados.
Leon inicia sua busca nas proximidades de um vilarejo rural da Europa, até descobrir que os habitantes do local são extremamente hostis, parecendo não estarem dentro de sua sanidade. Leon, então, é obrigado a abrir caminho entre a horda de civis descontrolados.
Posteriormente, ele é infectado por um tipo de parasita chamada Las Plagas. Adiante, ele depara-se com Ada Wong e Jack Krauser, seu mentor durante os treinamentos do Serviço Secreto, além de Luis Sera, pesquisador do culto. Sera fornece documentos que mostram o que exatamente são os Las Plagas: insetos que permitem controlar a mente dos infectados.
O plano do culto é infectar Ashley e devolve-la ao presidente, para que ela possa infectar os demais políticos da Casa Branca. Ciente disto, Leon inicia uma corrida contra o tempo para encontrar a garota, impedir sua contaminação e conseguir extrair o parasita dentro dele, antes que seja tarde demais.
No final do game, vemos Ada fugindo de helicóptero, levando consigo uma amostra do Las Plagas.
A jogabilidade do game foi modificada, agora com a câmera fixa atrás de Leon, ligeiramente à direita (o chamado Shoulder View). O sistema de câmeras semi-fixas não existia mais, permitindo uma exploração de cenários amplos.
Aproveitando-se disto, o game insere a novidade de miras laser nas armas, dando maior sensação de profundidade. O game também insere um sistema mais contextual de danos nos rivais. Dependendo do local onde for atingido, o inimigo irá reagir de maneiras diferentes.
Também foi inserido o sistema de ações contextuais. Dependendo da situação, o jogador poderia apertar determinado botão para que Leon executasse uma ação correspondente, como pular uma cerca ou executar um salto mais elaborado. Este recurso é muito utilizado contra as lutas com os chefes do game, onde um erro pode significar a morte do personagem.
A crítica aclamou o game, concedendo notas elevadas para o mesmo. A revista oficial da Nintendo (Nintendo Power) e a revista oficial do PlayStation (Official U.S. PlayStation Magazine) concederam ao game o título de Game do Ano de 2005. O canal G4 chegou a afirmar que este era o melhor Resident Evil de todos.
A GameSpot condecorou o game com a nota 9,6 de 10, apenas ressaltando pequenos problemas gráficos e diálogos tolos (piadista), contrastando com o clima do game. Já a GameSpy vai mais longe e dá a nota máxima ao game, afirmando que você deveria esquecer “tudo o que você sabe sobre survival horror”, pois Resident Evil 4 “chegou com um estilo completamente novo de jogabilidade”, apresentando uma “jogabilidade de ação/aventura absolutamente primorosa – sim, Ação... com A maiúsculo”.
Por fim, a IGN afirma que Resident Evil 4 é “o melhor game de survival horror já feito”, dando a nota 9,8 de 10.
Muitos consideram Resident Evil 4 o melhor game do Game Cube.




2007 – “Resident Evil: The Umbrella Chronicles”: O lado negro da força.
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The Umbrella Chronicles narra diversos acontecimentos da franquia, sempre envolvendo o conglomerado Umbrella.
Lançado exclusivamente para o Nintendo Wii, o game é um rail shooter (espécie de FPS com movimentação automática, como o clássico Virtua Cop, do Sega Saturn) que conta fatos entre os games Resident Evil Zero, Resident Evil e Resident Evil 3: Nemesis.
A jogabilidade do game segue a premissa de todo rail shooter: atirar nos inimigos, através do Wii Remote, esperar a câmera avançar automaticamente para o próximo ponto e repetir o processo. Para evitar a mesmice, o game permite que o jogador realiza movimentos limitados para os lados, para visualizar uma área maior. Além disso, em determinados momentos, o jogador passa para uma visão em terceira pessoa para realizar ataques corpo-a-corpo, além de movimentos especiais para evitar armadilhas (como os movimentos contextuais de Resident Evil 4).
Entretanto, o destaque do game é a explicação dada aos fatos que envolvem os games que compõem The Umbrella Chronicles, como a forma que sobreviveu no primeiro Resident Evil, o envolvimento misterioso de Ada Wong com as ações da Umbrella e a forma que se dá a queda do conglomerado após os fatos de Nemesis.
A crítica ao game foi positiva, embora tímida. A IGN, por exemplo, afirma que o game possui um visual “incrivelmente divertido”, embora sinta falta de explicações sobre os fatos de Resident Evil 2 e 4, além de uma jogabilidade lenta. Ao final sua nota foi 7,9 de 10.




2009 – “Resident Evil 5”: “Por um futuro sem medo”.
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Resident Evil 5 é o último game da franquia até o momento. Carregando consigo o título de game da franquia que mais vendeu ata hoje (contando mais de 5 milhões de cópias), o game já é considerado um sucesso comercial.
O game se passa dez anos após os acontecimentos do primeiro Resident Evil, com Chris Redfield como integrante da BSAA (Bioterrorism Security Assessment Alliance), em missão na África, com o objetivo de investigar uma possível ameaça terrorista através de armas biológicas.
Em território africano, ele conhece aquela que será sua parceira nas investigações: Sheeva Alomar. A missão da dupla é investigar, juntamente com outros membros da BSAA, as intenções de Ricardo Irving, contrabandista que pretendia vender uma espécie de arma biológica no mercado negro. Ao chegarem ao local onde Irving estaria, a dupla depara-se com uma multidão ensandecida.
Com o desenrolar dos fatos, a dupla acaba tendo acesso a arquivos que contem a foto de Jill Valentine, antiga parceira de Chris. Sem saber do que se trata, Sheeva continua dando apoio ao antigo membro da S.T.A.R.S., até eliminarem toda a horda de inimigos que surgiam. Irving, durante o conflito, é visto sendo salvo por uma misteriosa figura encapuzada. Durante este salvamento, Irving deixa para trás documentos indicando um local onde são realizadas experiências com a tal arma biológica: Um parasita.
Todo o conflito não passa de uma isca para atrair a atenção da BSAA.
Após o conflito, os dois percebem que são os únicos sobreviventes do local.
Chris, então, admite para Sheeva o real motivo de estar nesta missão: Encontrar Jill, dada como morta após combate contra Wesker.
A partir daí a dupla vai abrindo caminho e descobrindo uma série de segredos e planos de dominação mundial.
Assim como em Zero, Resident Evil 5 usa um sistema de duplas para o game. A grande diferença é que aqui, Sheeva é controlada pela inteligência artificial do game na sua totalidade (ou por um segundo jogador no modo cooperativo) e de maneira conjunta.
Ainda baseando-se no sistema de dupla, os personagens podem trocar itens, como munições, remédios e outros itens, além de poder curar o parceiro, dando maior importância para a cooperação.
A câmera é similar a vista em Resident Evil 4, bem como o modo de ações contextuais, mostrando que a tendência da Capcom é manter a fórmula do tão controverso episódio.
A recepção do game pela crítica especializada foi muito positiva. A Game Informer deu a nota 9,5 de 10, apontando problemas apenas na velha mecânica do game, que impossibilita o jogador de se mirar e andar ao mesmo tempo (como em Dead Space).
A GameSpot também menciona este problema de mira, além de problemas no modo on line, como a impossibilidade de se trocar de armas com o parceiro, ganhando a nota 8,5 de 10.
Entretanto, mais do que falar de notas, o grande ponto da recepção ao game está nas acusações de racismo que o game apresenta.
Em entrevista à revista Computer Games Magazine, o produtor Masachika Kawata afirmou que “nós [Capcom] estamos no ramo do entretenimento – Não estamos aqui para declarar nossa opinião política ou qualquer coisa do gênero. É triste que algumas pessoas pensem assim.”.
O editor da Newsweek, N'Gai Croal, afirmou que o trailer do game continha “clássicas imagens de racismo” (a imagem de um branco musculoso atirando em negros “desumanizados” e arcaicos não agradou muito).
Indiferente disso, o game segue com boas vendas.




Não sabemos quando a Capcom irá nos entregar outro Resident Evil (por hora, sabe-se que teremos dois títulos a caminho: Resident Evil: The Darkside Chronicles e Resident Evil Portable, para Wii e PlayStation Portable, respectivamente), mas é certo que a franquia tem tudo para continuar nos planos da empresa.
Se o game já não apresenta tantos fatores de survival horror ou não, cabe a cada um dizer. Só podemos afirmar que a franquia é referência e deverá ser lembrada por muito tempo, por tudo que ela representa.

Referências e Fontes

Capcom.com
Eurogamer.net
Gameinformer.com
Gamespot.com
Gamespy.com
GameTrailers.com
Google.com
IGN.com
Residentevil.com
Wikipedia.org
Youtube.com

 
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