(A ordem é alfabética):
Assassin´s Creed 2 ( PC, PS3, Xbox 360)
Vou tentar fazer isso
sem que você me mate por fazer spoilers. As grandes histórias da humanidade, diria o mestre Joseph Campell, partilham de simbologias que remontam desde as primeiras mitologias criadas pelo homem. Assassin´s Creed 2 leu um livro chamado O Poder do Mito, outro de nome O Código da Vinci e mais: Os Bórgias. Deste retirou sua inspiração e não teve medo de escancará-las. E, exatamente por isto, a narrativa funciona. Repleto de informações simbólicas e histórias, você pode passear por entre a época dos templários e da corrupção da Igreja Católica. Há elementos de espionagem, claro, para ligar os pontos e deixar o espectador grudado na tela da TV. Se você curte os mistérios da história antiga, vai achar um prato cheio. Se nunca se interessou, vai gastar um dinheiro com livros depois da jogatina.
Batman: Arkham Asylum (PC, PS3, Xbox 360)
É quase injusto que o game do Batman esteja na lista, já que ele foi baseado em um dos quadrinhos mais perturbadores do homem-morcego. O Asilo Arkham é inspirado na cidade ficcional de H.P. Lovecraft (se você nunca leu nada desse cara, não sabe o que está perdendo); e é um depositário de vilões que foram atestados por insanidade. Há um segredo sobre seu criador e um milhão de super-
vilões sedentos por vingança. O mistério, no game, funciona como conteúdo extra, já que o objetivo é parar mais um dos planos do Coringa. Porém, a nova trama entrelaça-se deveras bem com aquela já reconhecida dos quadrinhos e o resultado é uma obra-prima de narrativa. Além de você descobrir curiosidades como: o Batman é tão bem preparado que tem bat-cavernas espalhadas por aí. Isso é que é ser um super.
Brutal Legend (PS3, Xbox 360)
Só porque um game não quer falar da essência do ser, nem dissertar a cerca do universo e de tudo mais, não significa que não tenha uma boa história. E este é o caso com Brutal Legend. Sua narrativa remonta os tempos áureos da geração Point and Click (que guardo com muito apreço na coleção), e mostra aos jogadores a diferença entre sarcasmo, escárnio, ironia, motejo, zombaria, galhofas e gracejos. Enfim, educação importante para toda sua vida. Isso tudo prestando homenagem aos deuses do metal. Com ritmo acertado provido por Jack Black, os diálogos devem ser guardados na Bible of Rock (sim, ela existe e eu tenho em casa pra provar).
Cryostasis: The Sleep of Reason (PC)
Este game lançado em abril não é amplamente conhecido, muito por conta do seu sistema de combate e de seu ritmo lento. Porém, se seu foco é desbravar por boas histórias, trate de encontrar este incógnito. O meteorobiologista russo Alexander Nesterov é enviado para investigar o desaparecimento de um artefato nuclear em North Wind. O que chama a atenção é a delimitação deste mundo e a construção dos flash backs do personagem. Principalmente porque você pode atuar no passado e alterar o futuro, como no filme O Efeito Borboleta. O mistério e sua concretização são excelentes, e o tom das memórias é bem parecido com o que foi visto em Bioshock. Envolto em cenas de terror, o roteiro pode fazer com que você acenda a luz do quarto.
Dragon Age: Origins (PC, PS3, Xbox 360)
Já é de sapiência popular que Dragon Age remonta no universo virtual o que os RPGs de mesa fizeram (e fazem) por anos para os seus seguidores. Além de anões e elfos, malhas de ferro, uma ameaça constante e uma demanda perigosíssima, o grande mérito do gênero é contar uma história ampla e entranhada, já que há tempo para o desenrolar de dois fatores importantes: construir um personagem redondo e descobrir uma imensidão de tramas menores tão interessantes quanto a história principal. Pois bem, Dragon Age excede em ambos os pontos, além de contar com seis origens diferentes para o seu herói. Mais do que isso, ganha medalhas de honra por transformar uma mulher mais velha e sem nenhum apelo sexual em um dos personagens mais cativantes e dúbios da história dos RPGs.
Infamous (PS3)
Ok, muita gente pode até achar estranho que Infamous esteja nesta lista, por conta de sua complexidade. Quando você chega ao final do jogo as revelações são tantas e tão bizarras que você se sente compelido a jogar tudo de novo. Porém, há uma linha tênue entre fazer isto por prazer ou porque os redatores são sádicos. No caso de Infamous, terminar o game é como acabar a leitura de um bom livro: há desejo em entender tudo , portanto, começar tudo de novo. Infamous libera a abelhudice dos seus jogadores e a sensação de replay não por conta de um mundo aberto ou de suas animações, mas por causa de seu roteiro.
MadWorld (Wii)
MadWorld surpreende em termos de narrativa. Quando o game começa você acha que tem todas as peças no lugar, já imagina o final, já sabe tudo que vai acontecer. Por conta desta prepotência planejada (claro, o roteiristas preparam este cenário para que você se sinta o sabichão), o roteiro de MadWorld se torna um dos mais interessantes do ano: te pega pelas ancas. A violência, as onomatopeias, e o preto-e-branco remontam à SinCity, o quadrinho. Mas, mais do que isto a história não fica abaixo da qualidade de um bom stoary board.
Mario e Luigi: Bowser´s Inside Story (DS)
Você já viu o filme Viagem Insólita? Onde um diminuído (sem metáforas aqui) Dennis Quaid entra no corpo de Martin Short e assim “causa uma grande confusão” - sim, era para te lembrar da Sessão da Tarde. Agora imagine os irmãos Mario e Luigi dentro do corpo de Bowser e controlando várias funções do carismático inimigo. Sério, precisa dizer mais?
Professor Layton and the Diabolical Box (DS)
O jogo foca-se em um tipo de caixa de Pandora, chamada Elysian Box que, logo no começo da narrativa é ligada ao assassinato de uma pessoa, ao melhor estilo “a curiosidade matou o gato”. Para resolver o mistério principal, a narrativa desdobra-se de modos peculiares. Também no início do game há uma fase dentro de um trem. Por conta de sua essência de puzzles, é bem fácil ligar a fase a um dos grandes livros de mistério: Assassinato no Expresso Oriente, de Agatha Cristie. Fique tranquilo: as associações simplesmente significam que mais do que cara de mistério, o roteiro se firma como belo espécime do gênero.
Silent Hill: Shattered Memories (Wii)
Sabem aquele dito popular: “quando você olha longamente para um abismo, ele também olha para você”? A sabedoria popular é, ao mesmo tempo, clichê e absolutamente verdadeira. Silent Hill: Shattered Memories informa logo no começo: the game will play you. Isto é, o game jogará você (e não o inverso). Em um universo em que você não tem armas ou grandes explosões uma coisa é certa: você precisa de uma bela história. SH sempre foi conhecido por sua faceta psicológica e paranormal e em Shattered Memories isto é levado ao extremo e à primazia, já que o roteiro se adequa a você, aos seus valores éticos. E acredite, é bem pior do que viver o terror de um terceiro. Absolutamente incrível e aterrorizador.
Uncharted 2: Among Thieves (PS3)
Máxima da mistura entre cinema e game, Uncharted não poderia passar sem uma boa história. Como muitos dos games supracitados, suas referências são claras – o que não significa que o roteiro não seja criativo, simplesmente familiar. No caso, as aventuras de Indiana Jones e a proximidade com o sobrenatural são marcantes. Porém, como o objetivo não é criar uma aventura em película, mas algo que você se sinta completamente imerso, a dramaticidade das cenas pode ser mais cruéis do que uma simples história de aventura. Você vai gritar “nãaaaaaaaaaaaaaaaaao!” como em Guerra nas Estrelas – e se você não fizer, é um desalmado. No entanto, o que faz esta incrível história se internalizar é atuação – se fosse malfeita Uncharted podia ser, em partes, até piegas. Porém, por conta de todos os outros elementos serem tratados com esmero, a narrativa é curiosa, bem modelada e tem momentos de pura glória.