sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sony cumpriu as promessas da E3 de 2010?

A E3 é um covil de promessas. Promessas vendem produtos. E, de acordo com os cínicos do mundo, promessas foram feitas para serem quebradas.
As promessas dela sobre PS3 e PSP se transformaram em realidade ou fomos traídos? A empresa já foi criticada em 2010 por ter sido ambiciosa demais, abusar dos exageros (“2009 será o melhor ano até agora!”) e por mostrar poucas demonstrações ao vivo.
À primeira vista, a Sony remediou vários desses erros, mostrando diversas demos em 2010 e se segurando nas declarações impossíveis. Mas uma inspeção mais minunciosa revela algumas inconsistências cruciais.

2010 será o Ano do 3D…

O presidente e CEO da Sony Computer Entertaimnet, Kazuo Hirai, disse que 2010 seria lembrado daqui a dez anos como o “ano que o PlayStation trouxe 3D autêntico à indústria”.
Resultado:  SIM, Hoje todos queremos uma telinha 3D, só os valores que ainda estão um pouquinho alto, mais como toda tecnologia nova é assim tudo bem!

…quando “todo PS3″ tiver 3D (em breve)

Resultado: Sim. Sem discussão. Em setembro, 3D estereoscópico se tornou disponível em todos os PS3 através do firmware versão 3.50.

O Monopólio 3D

Além disso, Hirai enfatizou que o PS3 seria e continuaria sendo “a única plataforma com jogos em 3D nativo”.
Resultado:  SIM. Não há dúvidas de que o Xbox 360 tinha games que suportavam 3D em 2010 – como Crysis 2 e Call of Duty: Black Ops. Mas esses e outros jogos eram “renderizados usando técnicas de 3D baseadas no princípio de duas imagens distintas sendo espremidas em um quadro de 720p”, e não na configuração do PS3 de “3D estereoscópico na configuração de dois quadros de 720p com resolução de 1280×1470 através de HDMI 1.4″, tanto como HDMI 1.4 PS3 também conta com audio 7.1, enquanto o 360 tem míseros 5.1.

Esses 20 e um pouco mais

Hirai afirmou que haveria mais de 20 jogos com suporte a 3D nativo até maio de 2011, incluindo Super Stardust HD, Pain, Motorstorm Pacific Rift e Wipeout HD.
Resultado: Ele não estava blefando. A Sony conseguiu lançar quase 30 jogos até a data-limite em março, todos com suporte a 3D estereoscópico nativo. Claro, eles eram de tipos muito variados – indo desde games menores como High Velocity Bowling até blockbusters como Killzone 3. Mesmo assim, consideramos uma promessa cumprida.

Os figurões do 3D

A Sony prometeu que uma série de jogos exclusivos (Motorstorm Apocalypse, Killzone 3, The Sly Collection, Gran Turismo 5) e vários grandes nomes entre os third parties (Crysis 2, Mortal Kombat, Shaun White Skateboarding, Ghost Recon: Future Soldier, NBA 2K11 e Tron Evolution: The Videogame) receberiam o tratamento 3D de luxo.
Resultado: Quase, mas ainda não. Podem colocar a culpa em Ghost Recon por ter acabado com a chance de essa promessa virar realidade. Mas como o jogo não recebeu data de lançamento confiável para nenhuma plataforma além do tradicional “quatro trimestre”, Mais não foi culpa da SONY.

Move, conheça o 3D

Antes de Hirai deixar o palco, ele prometeu que os seguintes games colocariam a tecnlogia de 3D para funcionarjunto com o Move: The Fight: Lights Out, EyePet, Tumble, MLB 11: The Show.
Resultado: Sim, sim, sim e sim. Todas as promessas cumpridas. Muito bom.

Vamos ver esse Move

Peter Dille subiu ao palco para discutir a visão da Sony de trazer controles com sensor de movimento ao PS3. Ele nos garantiu que o Move teria apelo para os jogadores “hardcore” e também para os mais casuais. Os botões, ele disse, seriam “vitais para a precisão” e uma vantagem-chave que distinguiria o Move da concorrência. A Sony prometeu o Move para 19 de setembro em um pacote com a “varinha” e o Navigation Controller, o PlayStation Eye e Sports Champion por US$99,99. Além disso, os jogos produzidos pela própria Sony seriam vendidos por US$39,99.
Resultado: Certinho. O Move foi lançado como planejado, valendo os dólares que diriam que ele valeria.

Para onde foi a magia?

Sorcery, o jogo-garoto-propaganda do Move, passou muito tempo sendo exibido no telão da Sony e tinha lançamento previsto para o segundo trimestre. Os desenvolvedores subiram ao palco para demonstrar as mecânicas, e seria normal pensar que esse seria um dos mais aguardados jogos para o Move.
Resultado: Sorcery sumiu, e a Sony nem se prestou a mudar oficialmente a data de lançamento. Será que ele foi cancelado?

Jogos de Move, milhões deles

A Sony prometeu de 15 a 20 jogos compatíveis com o Move no primeiro dia do periférico nas lojas, e um total de mais 40 disponíveis até o fim do ano.
Resultado: Meio certo. Infelizmente, pelas nossas contas, apenas seis games estavam disponíveis no lançamento – menos da metade. Mas a Sony compensou na promessa do fim de ano. Em dezembro a empresa disse que sua biblioteca de jogos controláveis com as mãos chegava a 50 títulos.

Levante e ande

Além dos games que já seria desenvolvidos com o Move em mente, a Sony listou vários que receberiam esse suporte via download. Eles eram: Toy Story 3, Tiger Woods PGA Tour 11, Heavy Rain e Resident Evil 5: Gold Edition.
Resultado: Sim. Para o bem ou para o mal, todos esses jogos receberam as atualizações prometidas bem antes do fim do ano.

O PSP ainda vive

Jack Tretton quis deixar claro que o PSP não iria embora tão cedo, e que a tecnologia básica da plataforma a manteria viva “por anos e anos”. A Sony disse que veríamos mais de 70 jogos sendo lançados até dezembro, e que a campanha de marketing “Meet Marcus” daria vida nova às vendas do portátil.
Resultado: Setenta? Que tal 29? E o tal de Marcus, apesar de ter aparecido em alguns comerciais, acabou desaparecendo completamente.

Agora você vê, e agora não vê mais

Mas Tretton mostrou alguns jogos específicos para o PSP, sendo Invizimals um dos principais. Ele disse que esse game usaria uma câmera para trazer uma experiência de “realidade aumentada” ao portátil. Já entre os mais convencionais, vimos God of War: Ghost of Sparta, Kingdom Hearts: Birth By Sleep, Ace Combat: Joint Assault, The 3rd Birthday, UFC 2010 Undisputed e outros. E até o fim de 2010, Tretton disse que dois “bundles” do PSP estariam disponíveis nas lojas: um para God of War e outro para Invizimals.
Resultado: Tudo certo aqui, Sony. Sem promessas quebradas ou corações partidos. Vimos esses jogos saírem, mas é discutível se essa tal realidade aumentada do Invizimals pegou mesmo.

Um futuro mais brilhante para a PSN

Nos dias que antecederam a E3 de 2010, a Sony se preocupou em promover o seu novo serviço de assinaturas, a PlayStation Plus. Ela disse que o serviço custaria US$49,99 por um ano (ou US$7,99 por três meses) e daria aos usuários acesso antecipado a demos e descontos na loja. Além disso, a Sony daria três meses de graça e, no primeiro mês, estariam inclusos Wipeout HD, uma demo de InFamous, dois Minis (Field Runners e Age of Zombies) e o PSone Classic Rally Cross, entre outros.
Resultado: Sim, tudo verdade. Houve esse probleminha de invasão nos últimos meses, mas a Sony fez tudo o que prometeu fazer.

Portal 2

A maior surpresa para os espectadores da conferência da Sony foi a presença não anunciada de Gabe Newell e seu anúncio de que Portal 2 não só seria lançado para o PS3, mas que seria a “melhor versão em qualquer console”. Ele chamou atenção para o fato de que os usuários teriam acesso à nuvem do Steam e teriam atualizações automáticas nos seus jogos.
Resultado: Sim. Para alegria dos donos de PS3 ao redor do mundo, essa grande promessa virou realidade. Não vamos entrar no mérito se essa é realmente a melhor versão, mas a integração com o Steam veio, e ela funciona muito bem.

“Exclusivo” – a palavra favorita de Jack Tretton

O presidente da SCEA nos apresentou vários jogos multiplataforma de third parties que receberiam conteúdo exclusivo significativo para o PS3. Na lista estavam Medal of Honor e Dead Space 2: cada um deles acompanhava um game anterior da série – Frontline e Extraction, respectivamente.
Resultado: Outro ponto a favor. Todas as promessas de exclusividades foram honradas, com Assassin’s Creed: Brotherhood e Mafia II também recebendo extras únicos para a plataforma.

Um grande ano – tirando Final Fantasy XIV

A Sony não necessariamente divulgou datas, mas apresentou um trailer longo do MMO da Square Enix e disse que esse seria um dos títulos que faria de 2010 um “grande ano” para a marca PlayStation.
Resultado: Talvez isso não tenha sido sua culpa, Sony. Mas uma promessa quebrada é uma promessa quebrada, não importa o motivo. Ninguém faz ideia se ou quando Final Fantasy XIV será lançado no PlayStation 3, ainda mais com toda a repercussão negativa da edição para PC. O jogo está adiado indefinidamente.
Veredito Final: Você até que foi bem, Sony. Pode se dar um tapinha nas próprias costas. O caso de Sorcery, infelizmente, prova como uma demonstração ao vivo nem sempre é prova concreta de que um jogo será lançado – mas deixemos essa passar. Portal 2 foi um grande aliado para a empresa, e vimos, sim, muito conteúdo e jogos exclusivos. O 3D...Bem, só o tempo vai dizer se essa tecnologia vai pegar para valer ou virar só outra moda passageira.