quinta-feira, 16 de junho de 2011

Uncharted 3 ainda melhor! ...Como sempre!


Alguns anos atrás, antes do lançamento de Assassin’s Creed II, eu estava pensando por que o primeiro jogo da série tinha sido ruim. E em duas ocasiões os produtores me mostraram as melhorias que haviam planejado para o segundo jogo.
Tudo que eles falavam parecia bom demais para ser verdade. E isso porque tudo o que eles falavam parecia… certo. Não era um discurso de “hypeado” ou uma lista de frases sendo repetidas. Parecia uma auto-crítica com precisão cirúrgica. E, como todos vimos, Assassin’s Creed II acabou sendo muito melhor que o primeiro jogo. Os criadores aprenderam com seus erros e criaram algo sensacional.
Na semana passada, durante a E3, tive um flashback desses bastidores de Assassin’s Creed ao entrevistar os criadores de Uncharted 3. Esses caras sabem, melhor do que eu, o que precisa ser corrigido.
Os primeiros dois jogos de Nathan Drake, esse Indiana Jones moderno do PlayStation 3, eram bem melhores que o primeiro Assassin’s Creed. Mas eles também tinham problemas. E, como me contou Jacob Minkoff, designer da Naughty Dog, o estúdio deixou passar muitas oportunidades porque não estava pronto para aproveitá-las.
Em primeiro lugar, temos o próprio Nathan Drake. Ele foi apresentado como um carinha qualquer. Mas agora vamos aprender muito mais sobre ele, diz Minkoff. Vamos entender suas motivações, sua relação com Sully e também descobrir mais sobre seu passado. Também teremos um Drake mais consistente como personagem. Nos jogos anteriores, ele parecia ser um sujeito qualquer durante as “cutscenes”, mas um herói assassino quando você passava a controlá-lo. E a Naughty Dog sabe disso.
“Drake nunca atira primeiro”, diz Minkoff, resumindo o caráter que a Naughty Dog sempre projetou para o herói. Ele não deveria entrar num lugar pronto para atirar antes de ser atacado, explica o designer. E ele reconhece que, no passado, Drake fez mais ou menos isso em algumas situações. Aquele não era o “verdadeiro Drake”, e tudo indica que em Uncharted 3 teremos um personagem mais autêntico.
Essa mudança na abordagem de Drake é algo sutil, mas uma mudança muito mais óbvia é mudar o ritmo do jogo. Minkoff diz que os jogadores reclamaram que Uncharted 2 tinha muito combate na parte final, principalmente no trecho do convento. Segundo ele, o estúdio criou muito mais “gameplay” do que história, então faltou narrativa para intercalar entre as partes “jogáveis”. Ele promete um equilíbrio melhor no próximo jogo, o que pode eliminar o certo tédio dos últimos momentos de Uncharted 2.
A demo de Uncharted 3 apresentada a portas fechadas na E3 não tinha nada de tédio, é claro, embora não seja possível dizer se vai ser esse o ritmo do jogo inteiro. Tudo começava perto de um campo de pouso e continuava numa sequência de ação que ia desde Drake e Elena planejando a abordagem a um avião de carga, até Drake subindo em telhados, correndo no asfalto e usando o jipe de Elena como impulso para pular no avião já em movimento. E o herói ainda invadia o avião, trocava tiros e começava a cair da aeronave, agarrado às cargas.
Assim como os produtores de Assassin’s Creed fizeram, Minkoff me surpreendeu com algumas amostras dessa evolução planejada da série. Ele disse que os puzzles do segundo jogo envolviam muita “transposição”, algo que não entendi de imediato. E ele explica que muitos dos enigmas eram resolvidos simplesmente olhando nas anotações de Drake e repetindo certas sequências de símbolos nos templos que o herói visistava. Muito fácil, diz o designer. “Queremos que os jogadores sintam que estão descobrindo alguma coisa“. Se você é um caçador de tesouros esperto, precisa pensar como um.
Como dissemos antes, Uncharted 3 terá algumas melhorias técnicas. Drake vai poder subir em objetos que são afetados pela física do jogo. Em outras palavras, na demo apresentada na E3, Drake estava sobre um bote salva-vidas preso na lateral de um navio que sofria as consequências de um mar revolto. Uma das cordas que prende o bote pode arrebentar, então Drake vai ser derrubado, mas ainda poderá escalar e se segurar – desde que o jogador tenha habilidade para tanto. Essas ondas, diz Minkoff, serão elevações de até 90 metros criadas por “geração procedimental”. Ou seja: elementos gerados em “tempo real”, afetando de maneira imprevisível o combate e o equilíbrio de Drake no navio.
Mas essas ondas parecem não afetar o equilíbrio de Minkoff. Nos 15 minutos que passamos falando de Uncharted 3, ele não deu nenhum passo em falso. Todas as correções e melhorias que ele mencionou soaram como decisões no caminho certo. O que tudo isso vai trazer para o provável melhor jogo da série, só esperando para ver. Mas minha intuição me diz que uma coisa é certa: Uncharted 3 terá uma briga de bar incrível. Embora o designer tenha preferido não confirmar nada sobre isso, ele diz que todos os sistemas de física e animação que o estúdio criou para o jogo permitem a criação de um belo quebra-quebra típico de um saloon. Incluindo a possibilidade de bater a cabeça de Drake no balcão, quebrar garrafas na cabeça dos inimigos, jogar alguém na mesa e assim por diante.
A pergunta que fica não é se teremos uma briga de bar, mas: quando houver uma, Drake será o cara que vai bater primeiro?
Uncharted 3: Drake’s Deception será lançado em 1º de novembro para PlayStation 3.