quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quando a Sega tentou dominar o mundo (e falhou)


Estávamos em 1997. A Sega, ainda na era pré-Dreamcast, estava com um certo espírito de bully. Enquanto suas rivais estavam se concentrando em ganhar a guerra dos consoles, a empresa queria mais que isso. Ela não queria bater com a Nintendo ou a Sony. Seu alvo era a Walt Disney Company.
A Sega queria deixar se ser uma humilde fabricante de videogames e se transformar numa gigante multimídia. Filmes, programas de TV, quadrinhos, brinquedos, qualquer coisa. Se podia ser produzido, a Sega queria estar lá.
Para chegar lá, porém, ela não poderia estar sozinha. Não havia dinheiro, franquias ou o know-how para isso. Então ela tinha que se aliar a alguém. E esse alguém, decidiram, seria a Bandai.
A gigante japonesa dos brinquedos era perfeita para o plano. Para complementar a vasta experiência da Sega com videogames, a Bandai (que também lançava seus jogos) era dona de diversas franquias poderosas, principalmente nos EUA, onde distribuía séries como Dragon BallPower RangersGundam e Godzilla.
Em janeiro de 1997, começou o processo de fusão entre as duas empresas – e o preço girava em torno de um US$ 1 bilhão. A Sega compraria a Bandai na lata, as duas operações seriam combinadas e o resultado seria a Sega Bandai Ltda. O negócio seria formalizado em outubro do mesmo ano, e o presidente da Sega na época, Hayao Nakayama, estava tão otimista com a ideia que previu que essa seria a segunda maior empresa de entretenimento do mundo, perdendo apenas para a Disney.
Em maio, entretanto, as coisas começaram a ficar turbulentas. Ambos os lados pretendiam assinar uma confirmação do negócio bem antes do prazo final de outubro, mas um descontentamento com a decisão, principalmente vindo da gerência da Bandai, começou a balançar o barco.
Wall Street Journal notociou em 27 de maio que “aproximadamente 80%” dos gerentes intermediários da Bandai “expressaram preocupações com respeito às mudanças na cultura da empresa e nas condições de trabalho que poderiam resultar da fusão”.
Apesar de o presidente da Bandai, Makoto Yamashina, estar vendo tudo com otimismo até esse dia, tudo mudou em 28 de maio.
Naquela noite, os dois presidentes realizaram conferências separadas para avisar ao mundo que a fusão havia sido cancelada. Eles mencionaram “diferenças culturais” como o ponto principal da desistência, mas acredita-se que essa dissidência dentro da Bandai tenha sido essencial para derrubar os planos megalomaníacos de ambas as empresas.
Em 29 de maio, Yamashina pediu demissão. Nos anos seguintes, a Sega foi forçada a sair do mercado de hardware depois de falhar com o Dreamcast. Em 2005, a Bandai se fundiu com outra empresa de games: a Namco.