Atari, “Nintendinho”, Mega Drive, Playstation... esses nomes são familiares entre muitas pessoas. Aqui no Brasil, desde a década de 80, os jogos eletrônicos fazem parte da vida dos jovens e têm evoluído cada vez mais rápido. Sim, o tempo passa depressa... mas a história dos videogames já registra mais de 50 anos!
Este artigo busca resgatar um pouco da trajetória dos consoles de mesa. Nesta primeira parte, conto as origens mais remotas, passando pela trajetória de sucesso do Atari e do Odyssey, até a crise que abalou o mundo dos videogames, em 1984.
Antes de se chamarem "videogames"
1952 - Jogo-da-velha é primeiro game eletrônicoOXO. Esse é o nome do primeiro jogo eletrônico da história, ao menos pelo que se sabe até então. Consistia no famoso jogo-da-velha, que rodava em um computador EDSAC (Electronic Delay Storage Automatic Calculator) e fazia parte de um trabalho para a Universidade de Cambridge, de Alexander S. Douglas, para ilustrar interações entre humanos e máquinas.
O primeiro jogo eletrônico do qual se conhecem mais detalhes foi criado pelo cientista Willy Higinbotham para entreter os visitantes do Brookhaven National Laboratories, no estado de Nova Iorque. Em plena guerra fria, era comum a curiosidade das pessoas pelo poderio nuclear dos Estados Unidos. Para tornar as visitas mais interessantes, Higinbotham criou um jogo de tênis simples que era mostrado em um osciloscópio (aparelho que serve para medir e tornar visíveis as variações periódicas de uma corrente elétrica) e processado por um computador analógico.
O jogo fez sucesso entre os visitantes e tornou-se a atração principal do laboratório. Mais tarde, o físico aperfeiçoou sua criação e adaptou o jogo para ser mostrado em um monitor de 15 polegadas. O projeto recebeu o nome de Tennis Programming, também conhecido como Tennis For Two, mas nunca foi patenteado pois Higinbotham acreditava que sua invenção não tinha potencial algum. 1962 – O primeiro minicomputador é fabricado
Nem sempre houve consenso sobre quem foi o inventor do primeiro game. O reconhecimento já foi atribuído a Martin Graetz, Stephen Russell e Wayne Wiitanen, do Massachusetts Institute of Technology. Os cientistas inspiraram-se nos primeiros livros de ficção científica de E. E. “Doc” Smith e criaram o Spacewar em 1962.
1968 – O videogame é patenteado
O engenheiro eletrõnico Ralph Baer fugiu da Alemanha nazista em 1938 e foi morar nos Estados Unidos, onde trabalhou mexendo com rádio e televisão e patenteou diversas invenções. Na Sander Associates, em 1966, Baer teve a idéia de criar uma máquina barata que divertisse as pessoas através de jogos eletrônicos. Assim, ele criou o Brown Box, uma máquina que rodava jogos eletrônicos através da TV. Em 1968, a invenção foi patenteada e mostrada a empresas americanas de eletrônicos, como a Magnavox, que se encarregou de lançar no mercado, pela primeira vez, um console de videogame caseiro. Foi a primeira vez em que o videogame foi encarado como produto comercial.
Década de 70: os primeiros consoles
Ralph Baer, após patentear o primeiro console caseiro, permitiu um boom da indústria, responsável pelo surgimento de clássicos como o Pong e o Atari. Foi na década de 70 que os videogames ganharam apelo comercial e começaram a invadir os lares de milhares de famílias.
1972 - Magnavox Odyssey 100
O Odyssey chegou às prateleiras americanas em 1972 com uma oferta inicial de 12 títulos, a maioria esportivos. Os jogos vinham em placas de circuito, uma espécie de cartucho rudimentar.
Aproximadamente 85.000 unidades do Odyssey e 20.000 rifles foram vendidos no ano do seu lançamento.
1972 - Pong
Nolan Bushnell, formado em Engenharia Eletrônica pela Universidade de Utah, era fã do jogo Spacewar e resolveu criar uma versão arcade do jogo. Transformou o quarto de sua filha em uma oficina e, trabalhando com a empresa Ampex, desenvolveu seu projeto, batizado de Computer Space, em 1971.
Em 1972, Bushnell uniu-se a seu amigo Ted Dabney para fundar a Atari. O primeiro jogo desenvolvido pela companhia foi o arcade Pong, um ping-pong eletrônico similar ao Table Tennis do Odyssey.
1976 - Channel F
O Channel F foi desenvolvido em 1976 pela Fairchild Consumer Products e introduziu uma inovação no mundo dos games: os cartuchos programáveis. Agora, para trocar de jogo, bastava introduzir um cartucho diferente no aparelho. O mecanismo é semelhante ao do Odyssey, com a diferença que as suas placas de circuito mudavam a programação do próprio aparelho, ou seja, o jogo não vinha gravado no cartucho em si.
Por outro lado, foi o primeiro videogame utilizado como parte de um programa de TV, em uma emissora independente de Los Angeles (canal 11). O jogo utilizado era o Shooting Gallery, inspirado no título do Odyssey. As crianças deveriam dizer “POW” quando quisessem que a arma disparasse e ganhavam prêmios de acordo com o número de alvos acertados.
1977 - Atari 2600
A Warner Communications comprou a Atari em 1976 e, no ano seguinte, lançou no mercado o Atari 2600. Com 128 bytes de memória e processador de 1.19 Mhz, tornou-se um ícone cultural da época e é lembrado e colecionado até hoje.

A quantidade de jogos lançada foi tão grande, que não impediu o surgimento de muitos jogos medíocres. Dessa forma, os consumidores desistiram do console. O Atari naufragou sete anos após seu lançamento e levou toda a indústria de videogames junto, no episódio conhecido como o crash dos videogames de 1984.
Mas é claro que o aparelho trouxe também vários clássicos, apreciados até hoje pelos entusiastas dos games antigos. Quando se fala em Atari, logo vêm a cabeça nomes como Enduro, Pitfall, River Raid, Atlantis, H.E.R.O, Frostbite, Seaquest, além de muitos outros.
Durante os anos de sucesso, a empresa faturou cinco bilhões de dólares nas vendas do console e dos periféricos. Cerca de 500 jogos foram lançados para o sistema.
1978 - Odyssey 2
A segunda geração do Odyssey chegou ao mercado em 1978, com um controle parecido com o do Atari e um teclado utilizado em jogos educativos. O console era tecnicamente inferior ao Atari e, por isso, a Magnavox apelava no marketing. Para conquistar o público, a empresa estampava em seus produtos frases, digamos... empolgadas demais, como "Infinitamente mais sofisticado do que os videogames comuns e arcades”.
O aparelho nunca superou o Atari 2600 em vendas, sendo descontinuado com o crash de 1984.
Década de 80 – Os mercado de games entra em crise
Nos anos 80, o reinado do Atari 2600 foi ameaçado pelo Intellivision e o console afundou junto de toda a indústria dos games, que só foi se reerguer a partir de 1985, com a Nintendo. O crash de 1984 marcou uma divisão de águas na história dos videogames e, depois desse período, a supremacia no mercado que, até então, era dos americanos, passou a ser dos japoneses.
1980 - Intellivision
O Intellivision chegou ao mercado pela Mattel em 1980, com gráficos e resolução superiores à do Atari 2600. Com 12 jogos disponíveis inicialmente, as primeiras 200 mil unidades do aparelho foram vendidas em tempo recorde.
Em 1983, a Mattel lançou o 2600 System Charger. O acessório permitia usar os cartuchos do concorrente Atari 2600 no Intellivision, o que triplicou a biblioteca de jogos disponíveis. O aparelho também foi copiado, como seus antecessores. Ao todo, sete clones do console foram fabricados.
No Brasil, o Intellivision foi lançado em 1983 pela Sharp. Não fez muito sucesso no país por ser o mais caro da época: o Odyssey era o mais barato e o Atari 2600 ficava entre os dois.
O Intellivision vendeu mais de três milhões de unidades só nos Estados Unidos. Foi descontinuado com o crash de 1984.
1982 - Arcadia 2001
O Arcadia 2001 foi lançado pela Emerson em 1982, mas sobreviveu apenas dois anos devido ao crash de 1984. Embora mais potente do que o Atari 2600, tinha gráficos inferiores aos do Intellivision, lançado dois anos antes.
Os cartuchos eram fabricados em dois tamanhos e a biblioteca de jogos não passou dos 35 titulos. Os games se resumiam a clones de arcades e de sucessos do Atari 2600. Apesar de não ter sido exatamente um sucesso, o console também ganhou seus clones, o que era bem comum na época. Foram 19 versões, lançadas em vários países. No Brasil, porém, o Arcadia 2001 nunca apareceu.
1982 - Colecovision
O Colecovision foi lançado pela Conneticut Leather Company em agosto de 1982 com o melhor hardware da sua geração. Estranhou o nome da empresa? Pois é, ela fabricava couro. Isso mesmo, couro! Mas quase foi à falência nos anos 70 e, então, resolveu entrar no mercado de games, abalando a supremacia do Atari 2600.
O Colecovision vendeu seis milhões de unidades em menos de dois anos, mas acabou com a produção paralisada após o crash de 1984.
1982 - Atari 5200
O Atari 5200 SuperSystem foi lançado em setembro de 1982 para tentar derrubar o Colecovision. Seu processador era o mesmo do computador pessoal mais poderoso da época: o Atari 400/800. Sua capacidade gráfica era superior à do Intellivision, mas perdia para o Colecovision.
O maior problema que o console enfrentou foi o controle mal desenvolvido. Era pouco prático e quebrava com facilidade, o que fez um aparelho de videogame fracassar, pela primeira vez na história, por causa de seu controle.
1982 - Vectrex
O Vectrex, lançado pela GCE em novembro de 1982 era diferente de todos os outros consoles por um motivo: suas imagens eram vetoriais e não originadas de pixels. O hardware consistia em um processador Motorola de 1,5MHz e um chip de som poderoso. Foi o primeiro e único console da história a vir acompanhado de um monitor, de 9 polegadas.
O Vectrex teve pouco mais de uma dúzia de jogos originais e saiu de linha com o crash de 1984. Não fez sucesso nos Estados Unidos e não chegou a ser lançado no Brasil.O Crash de 1984
A maior crise no mercado dos videogames da história ocorreu em 1984, quando as pessoas simplesmente pararam de comprar os consoles e os jogos. Devido ao aumento dos games considerados medíocres para os consoles, as pessoas começaram a preferir investir nos computadores pessoais.
No final de 1983, qualquer empresa decidiu que poderia lucrar com a ajuda dos videogames. Até mesmo lanchonetes contratavam empresas para produzir games com o único intuito de promover seus produtos. O resultado dessas investidas eram jogos horríveis, que começaram a desapontar os jogadores.
Um computador custava cerca de 50 dólares a mais que um videogame e não só rodava jogos, como oferecia uma série de aplicativos que faziam a diferença para o consumidor. A vantagem tornou-se evidente e as empresas americanas de videogame que dominavam o mercado acabaram indo à falência.
A crise durou cerca de um ano. Em 1985, os japoneses começavam a reerguer o mercado, com o lançamento do Nintendo Entertainment System. Mas essa é outra história, que fica para a parte 2 deste artigo. Até a próxima!
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