terça-feira, 28 de maio de 2013

CPU DO PS4 E DO XBOX ONE SERÃO USADOS PARA NOTEBOOKS E TABLETS



No últimos anos, a Intel despejou caminhões de dinheiro para desenvolver e disseminar os ultrabooks. Nesse mesmo período, uma AMD enfraquecida escondeu suas ambições e ocultou suas garras. A arquitetura de alta performance Bulldozer certamente não foi o sucesso comercial que a empresa esperava, mas o modesto Bobcat construiu uma boa reputação no segmento de baixo custo e baixo consumo de energia, ou seja, entre os HTPCs e os netbooks. Parece que esse recuo estratégico valeu a pena. Hoje, as três grandes marcas de console trabalham com chips AMD. Tanto o Xbox One quanto o PlayStation 4 utilizam a arquitetura Jaguar, a sucessora do Bobcat que também aparecerá em notebooks e até mesmo tablets ao longo deste ano.

O Jaguar é o núcleo das novas APUs (componentes que combinam CPU e GPU no mesmo bloco de silício) Kabini e Temash. Ambos são chips de baixo consumo de energia: o Kabini, projetado para notebooks compactos, consome entre 9 W e 25 W, enquanto o Temash, destinado a tablets, opera entre 9 W e 3,9 W. O Temash é especialmente interessante porque inclui chips com quatro núcleos de CPU, uma grande novidade no meio dos system-on-a-chip x86. Em outras palavras, a AMD é a primeira a criar uma plataforma quad core para tablets com Windows 8 completo (e, potencialmente, outros sistemas que trabalham com o x86, como o Linux). A AMD também anunciou uma nova família de APUs para desktops e notebooks de alto desempenho: a Richland, que é baseada no núcleo Piledriver.

Comparado ao seu antecessor, o Jaguar mantém boa parte da estrutura geral. No entanto, a introdução de uma série de pequenas mudanças, como o compartilhamento da memória cache L2 entre todos os núcleos, acaba somando um aumento de desempenho de 22% em relação a chips com Bobcat rodando na mesma frequência. No campo da GPU a AMD adotou uma estratégia curiosa: todas as APUs Temash e Kabini oferecem os mesmos 128 núcleos de processamento gráfico. Nas partes de baixo consumo de energia, apenas o clock é alterado. Pelo menos no papel, o Jaguar tem uma vantagem clara sobre o Atom da Intel e o A15 da ARM, seus concorrentes diretos.

PlayStation 4 e Xbox One

Tanto a Sony quanto a Microsoft adotaram o Jaguar como o centro da próxima geração de consoles. A combinação de uso eficiente de energia e desempenho oferecida pelo núcleo da AMD é difícil de superar quando o objetivo é construir um console compacto e silencioso. O fato de que o novo processo de fabricação desse chip (litografia de 28 nm) o tornou consideravelmente mais barato também deve ter pesado muito na decisão final.

Embora Xbox One e PS4 utilizem o mesmo componente que combina duas APUs customizadas com 4 núcleos Jaguar cada, há diferenças consideráveis na estratégia de implementação. A Microsoft optou por um número menor de núcleos de GPU (768 contra 1152), o que se traduz em um desempenho potencial consideravelmente menor. No campo da memória encontramos as maiores diferenças. O Playstation 4 usa GDDR5, um tipo de memória de banda larga projetada para auxiliar o processamento gráfico. O Xbox One, por sua vez, se contenta com 8 GB de DDR3 comum, mas complementa esse número com 32 MB de SRAM que pode ser usada com cache. Pelo menos no papel, portanto, o PS4 está na frente apesar de utilizar o mesmo processador.